quarta-feira, 17 de novembro de 2010

brilhe, brilhe diamante louco !

Existem situações que não carecem de qualquer tipo de elucidação, que penetra-te pelos poros, aconchega-se na tua alma e traz-te a felicidade, o êxtase pleno!
 Normalmente não têm grande durabilidade afinal são apenas momentos. Estes são tão únicos por isso, por serem felizes por si só. Não há passados muito menos futuros.
Estás ali, tu e a realidade momentânea… e sabem o que me proporciona momentos assim?....isto ;)

sábado, 13 de novembro de 2010

retalhos

 Hoje encontrei-me a procurar-te e nada encontrei, nem uma única réstia de sofrimento ficou. Bem que tentei caçar-te como uma lebre, ferozmente, mas nada. Forcei lágrimas... não caíram!
O alívio inerente ao momento deu lugar ao incoerente desespero. Não estavas mais alí, já tinha costurado os retalhos de ti que restaram de um todo, e mais uma vez repentinamente resolveste partir, mais uma vez não foste homem suficiente para esperar que eu estivesse pronta, agora não para te deixar, mas para amar de novo, para voltar a sofrer e deixar essa felicidade incompleta, que me faz tão bem! Mas enfim...desilusão dupla. Foste mais uma vez demasiado fraco para deixar-se ser trocado, afinal sabes bem que eu sou lenta em processos emotivos, mas mais uma vez não te contentaste em ver-me feliz. Sempre foi assim, a minha alegria sempre te incomodou e até a minha liberdade e a minha " não dependência" de ti sempre fez-te voltas ao teu estômago.
É que não percebes? Estava tudo como deveria ser. Tu estavas feliz, acompanhado ou não, mas já tens a tua vida linda e perfeitamente aborrecida, como sempre.E eu? Para além de ter percebido as palavras de Rosseau, quando no texto "Devaneios de um solitário" diz que a felicidade plena consiste em nós mesmo , aprendi o significado de "amor próprio" e para além de tudo isto já tinha te posto no lugar que realmente te pertencia, ao que te rebaixei, eras o nada que servia de "tapa-buracos". As vezes até gostava de ir lá ver os remendos, era engraçado digamos... rir-me de ti, ao pensar que já te achei tão superior...mas o teu orgulho e super-amor-próprio mais uma vez não suportou ver-me belamente a vencer-te.
É que agora, sinceramente não sei o que fazer com o buraco de não te querer mais ! É muito estranho ver fotos nossas e só pensar " como eu era feia meu Deus", ou então tocar a nossa música no rádio e já não ter mesmo encanto, ou até mesmo falar de ti sem sentir aquele aperto no peito. Deveria ser aliviador, mas é estranho passar por ti e nem uma unica celulazinha saltar.
Eu sei que qualquer dia, onde ficavam os teus remendos vai vir uma peça nova, de primeira qualidade e com garantia toda XPTO !
Mas até lá pergunto-me ... onde foste buscar tanta covardia?

partilhando.

Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness)

“Uma inédita e inexplicável epidemia de cegueira atinge uma cidade. Chamada de “cegueira branca”, já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne Moore), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.”

   Um filme adaptado do livro do Português José Saramago, com a direcção do Brasileiro Fernando Meirelles , relata-nos como lemos na sinopse uma doença misteriosa que se espalha em um ápice pelo país.
   Recomendo o filme vivamente e deixo umas perguntas no ar : Qual será mesmo o real motivo para tal "cegueira branca"? O Porque da única pessoa a não ser afetada ser a idônea e bondosa mulher do medico representada pela Julianne Moore?  Qual será a relação entre a cegueira e a tão vivaz falta de escrupulos e de principios que vivemos no dia de hoje?
  Eu penso que , é um filme que daria umas boas horas de reflexão .




ps: longe de mim querer ser alguma expert no assunto, não sou.... apenas estou a partilhar algo que gostei.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

o telefone tocou....

  O telefone tocou... faz-se silêncio !
 Depois de mais um momento exaustivo provocado por excesso de compatibilidade carnal entre Inês e Ricardo, ela simplesmente olha para o telefone a tocar. Aquele olhar deixa transparecer a angustia.
 Inês , ainda deitada , em meio de alguma réstia de desejo , teme .
 Ricardo , como sempre ,de uma forma meiga e compreensiva a toma em seus braços. Abraçam-se.Inês deixa escorrer algumas lágrimas e soluços e assim permanecem naquele emaranhado de sentimentos.
    -Porque ? Porque não acabo com esta angustia de uma vez por todas? Pergunta Inês em meio dos soluços.
 Em um tom compreensivo Ricardo delicadamente responde:
    - Porque não sou eu quem tu amas, porque em mim reside todos os sentimentos que possas ter... menos o amor.
 Aos gritos de desespero e de raiva Inês responde:
    - Tas a ficar louco? Não vês tudo o que eu faço por ti? E ainda tens a coragem de dizer que não te amo?Achas mesmo que não te amo? Eu morreria por ti ... MORRERIA !
 Ricardo abaixa a cabeça, levanta-se serenamente . Enquanto Inês se contorce na cama em movimentos parecidos com o que em momentos atrás estivera a fazer em pró do desejo , agora não passam de expressões do seu corpo a tentar de alguma forma mutilar-se , atingir-se , mesmo sem saber realmente o porque.
 Ricardo veste-se, escreve qualquer coisa em um papel, dobra-o e fecha a porta com tanta delicadeza, como se a porta fosse feita de porcelana. Inês só repara que ele já não lá está quando perde as forças ao se debater sobre si mesma naquele quarto de hotel. Quando se apercebe ainda corre até o corredor, mas Ricardo como que por magia desaparece.
 Ela volta, desdobra o papel que diz:
    "Sou o fruto do teu desejo reprimido, do teu vicio, da tua imaginação. Eu amo-te, nunca te esqueças, mas não quero mais ser apenas o teu desejo de amar... "
 As lágrimas caíram mais uma vez, mas não de raiva como outrora. Uma espécie de alívio e de serenidade subitamente se apoderam de Inês.
 Inês veste-se, agora mais calma. Agarra o telemovel :
    "Amor desculpa, estava a fazer compras, já vou a escola buscar os miudos.... e olha... nunca te esuqeças és o marido de sonho de qualquer mulher! " .
 Ao desligar o telefone , da os últimos retoques na maquilhagem. Ao olhar-se ao espelho ri-se. Mas tenta ser rápida, as crianças estão a espera!

sábado, 28 de agosto de 2010

partilhando

 Notorio é o meu gosto por musica brasileira, é a forma que eu encontrei de estar em contacto sempre com a nossa cultura, mesmo estando fora do Brasil a mais de 10 anos.

 Sabem aqueles momentos de "sem-querer-querendo" acaba descobrindo, re-descobrindo, músicas que você acha que nunca ouviu, mas você sente que sabe a letra e que faz parte de você? Por mais banal, ou desconexa que seja ela te toca de algum modo. Infelizmente não sou nenhuma expert em musica, mas acho que o essencial é a música te tocar, te transmitir um sentimento... na verdade acho que é a "obrigação" de qualquer arte, e a música se inclui. 
  Dito isso , a uns dias atrás estava " futricando" nas coisinhas de mamãe e redescobri músicas que sem motivo me fizeram rir e chorar. O nome " Chico Buarque" sempre foi muito falado aqui em casa, mas nem sempre muito ouvido ( que lastima hoje penso que deveria fazer parte da rotina diaria ouvi-lo um pouquinho todos os dias ). Vai musica vem musica, resolvi que não seria um blog meu se não houvesse nenhuma referencia a esse grande cantor/compositor Brasileiro que fez o favor ao povo brasileiro de enriquecer um pouco mais a nossa cultura.
   Por isso partilho aqui uma musica simples, tão simples e tão gostosa de ouvir... 











João e Maria


Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy
Era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões
Os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque
E ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei
A gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião
O seu bicho preferido
Vem, me dê a mão
A gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal
Que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá deste quintal
Era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

obsoleto amor antigo

  

  O tal do amor antigo já tão obsoleto ...pairou sobre mim, pousou, alimentou-se de lembranças e até mesmo de  quimeras durante longas primaveras, tantas que pensei ser o que chamam de Karma.  

 Tal e qual  como um ou vários sujeitos compostos ou melhor... dispostos, me tinham avisado outrora, em outro contexto, e com outras milhares de histórias o danado e obsoleto amor antigo foi-se embora.  

  Foi acontecimento histórico, com direito a bolo e champanhe e até a uma suave melodia , e eu até pensei comigo : " Que Deus lhe acompanhe" , afinal não deixava de ser uma parte de mim que se ia.

  Em um esplendoroso movimento de translação uniformimente retardado, lá foi ele bonito e amordaçado. Sorridente e desesperado, ai esse amor antigo, já se tinha habituado a mim... coitado!

  Agora que penso, não sei bem explicar. Tanto aviso , e porque que ele ( ou eu ) insistia em ficar? Cá pra mim uma dessas leis da física, da gravidade, ou da ansiedade (?!) sei lá... explicaria com categoria!
 Hoje já pouco me interessa, lá ele teve a sua data e hora para  partir em acontecimento digno, se é que existe dignidade no amor ! O que me intriga, é o que fazer com este espaço vazio é que já tentei mas  não é do tamanho da dor...
  Amores antigos já não há. Amores inocentes muito menos, amores sinceros ...hum... tenho lá minhas duvidas se ainda se encontra no mercado, numa feira talvez ! 
  Mas e agora, e o amor? aquele que consiste em amar, nada mais para alem de amar? Escondeste-o por aí? Ou simplesmente já não há?

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

viver será melhor que sonhar?

Doce ilusão os sonhos , acalenta corações partidos, faz sorri o enfermo e gritar de emoção o abandonado.
Doce desilusão a vida, parte-nos os corações colados, assassina o são e faz sangrar o jovem tão amado.

Viver de sonhos é deixar a vida passar ao lado,
Viver sem sonhar é tirar as cores do mundo , e deixa-lo a preto e branco.

Eu gosto de cor, de magia, de emoção. e tu ? Preferes viver ou sonhar?